POLÊMICA – Livro American Dirt

O polêmico livro American Dirt, da escritora Jeanine Cummins, chegará nas livrarias brasileiras pela editora Intríseca. A obra, bastante controversa, conta a história de Lydia, uma mulher que passa por apuros no México e foge para os Estados Unidos. Confira a sinopse completa:

“Ontem Lydia era dona de uma livraria.Estava casada com o homem que amava.Vivia rodeada de família e amigos. Hoje Lydia perdeu tudo.Tudo, menos o filho, Luca, de oito anos.Por ele, vai amarrar uma faca de mato à perna.Vai saltar para um comboio de alta velocidade em andamento.Vai até ao fim do mundo.Únicos sobreviventes do massacre da sua família às mãos de narcotraficantes, Lydia e Luca sabem que têm de fugir do México imediatamente. Cada minuto conta. Cada troca de olhares está impregnada de perigo. Em cada momento de fraqueza pulsam a vida e a morte.”

Inicialmente, o American Dirt foi considerado um livro excelente, um clássico da literatura americana. Quando a autora lançou o manuscrito, 16 editoras batalharam para garantir os direitos autorais. A Flatiron Books conseguiu comprar a obra de Cummins por mais de U$1 milhão. Direitos cinematográficos também foram vendidos.

O sucesso de American Dirt chegou até uma das maiores apresentadoras do mundo: Oprah Wintsey o colocou como opção de leitura do no Clube do Livro dela.

“Eu fundamentalmente acredito no direito das pessoas usarem a imaginação e talento delas para contar histórias e criar empatia com os outros.”

– Oprah sobre o livro American Dirt.

“Eu sempre quis escrever sobre imigração, eu estava interessada nesse tópico. eu resisti por muito tempo em contar uma história do ponto de vista de um emigrante porque eu estava preocupada de não saber o suficiente, que meu privilégio me fizesse comprar algumas verdades. Foram cinco anos de pesquisa e dois rascunhos com deram errado que me convenceram a entrar no ponto de vista da Lydia.”

– Jeanine Cummins, em entrevista para o CBS This Morning.

Com a entrevista, percebe-se que a autora já tinha receio ao contar a história, porém, que continuou com o plano de dar vida a Lydia mesmo assim. Os primeiros momentos de American Dirt ao sair da editora que o publicou, Flatiron Books, foram bons. Ele ficou em 1º lugar nos mais vendidos da lista do The New York Times. Além de Oprah, o autor premiado Stephen King também elogiou a obra.

A decaída

Contudo, ao se tornar conhecida, alguns leitores encontraram problemas e os tornaram públicos. Uma resenha que ganhou bastante destaque ao falar do livro foi a de Myriam Gurba, escritora Mexicana que vive na Califórnia. De acordo com o jornal El País, editores e jornalistas latinos que vivem nos Estados Unidos se mostraram contra o livro, afirmando que ele trata o tema da imigração de maneira insensível, estereotipada e cheia de erros. Além disso, tem-se a acusação de apropriação cultural por parte da autora.

O jornal ainda citou alguns outros aspectos que chamaram a atenção negativamente do público leitor, como a transformação dos problemas da migração em uma aventura, a romantização de um personagem que é chefe do narcotráfico e o mundo do crime sendo tratado de maneira tranquila, reduzida.

Com essa má repercussão, a editora chegou a cancelar uma tour da autora por questões de segurança. De acordo com uma matéria postada no The New York Times, o presidente da Flatiron Books, Bob Milles, admitiu que a editora “cometeu vários erros na maneira que o livro foi desenrolado” e que o American Dirt “expôs inadequações em como a Flatiron trabalha com a representação, tanto nos livros publicados quanto na equipe que trabalha na empresa”.

Escritores também mandaram uma carta aberta a Oprah, pedido para ela reconsiderar a recomendação que havia feito sobre o livro para o Clube do Livro.

Opinião

Esse caso do American Dirt serve de exemplo para debates a respeito da literatura. Se por uma lado Cummins trouxe o assunto da migração mexicana à tona, por outro, ela o fez de maneira errada. Aqui, a literatura se mostra mais sensível do que realmente aparenta ser. Na sua opinião, uma pessoa não experiente sobre determinada realidade tem o direito de escrever sobre esta? Seria ela uma contribuinte para trazer essa história ao público?

Escrito por

Sou Daniela Esperandio Dias, uma capixaba de 20 anos que tem coluna de uma senhora de 70. Curso jornalismo e estou na luta para aprender francês. Amo ler e escrever, e tenho um caso sério com o chocolate.

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