A censura no Brasil de hoje só mostra o retrocesso

A censura é uma deplorável ação que marca épocas. Infelizmente, isso ainda ocorre no governo brasileiro. Um caso que ganhou grande repercussão nas mídias do país foi o caso da censura ocorrida na Bienal do Livro em São Paulo no ano de 2019.

O mais novo episódio de censura ganhou a Internet no início de fevereiro, quando um documento liberado nas redes sociais mostrava uma lista de livros que teriam que ser recolhidos de escolas de Rondônia. Essa lista, feita pela Secretaria de Educação (Seduc) de lá, foi entregue a coordenadores de educação do estado e vetava a circulação de 43 obras, incluindo livros de Machado de Assis, Rubem Alves e Mário de Andrade. O motivo para essa ação foi explicado com a desculpa de que aquele material era impróprio para crianças e adolescentes.

O Ministério Público Federal (MPF) de Rondônia, contudo, passou a investigar o motivo da existência daquele documento. Raphael Bevilaqua, que é o procurador responsável pelo caso, informou que o ensino brasileiro deve seguir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que conta com a divulgação de cultura e do saber.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ficou contra o documento, alegando que ele fere completamente princípios da Constituição Federal. A União Nacional dos Estudantes também se opôs.

O que parecia apenas uma história antiga se mostra presente na atualidade, e esses dois casos, da Bienal e de Rondônia, são apenas alguns exemplos – imaginem o que fica por trás dos panos e que a mídia não divulga?

A censura do passado

A censura na história da humanidade se deu por diversas maneiras, privando pessoas de terem conhecimento e de expressarem as opiniões pessoais. No Brasil, o último e mais próximo período de censura violenta ocorreu na ditadura militar, em que artistas, jornalistas e pessoas comuns não podiam ser contra a estrutura regida. Consequentemente, muitas obras foram vetadas, assim como informações e posicionamentos políticos.

“Um dos temas capitais relacionados à estruturação dos estados ditatoriais é a censura, que funciona como instrumento para que as críticas ao regime não apareçam, evitando que seja constituída uma força de oposição. No caso do regime militar instituído em 1964, logo começaram a aparecer medidas que caminhavam nessa direção”

Memórias da Ditadura

Naquela época, a censura era combatida com repressão. Calavam-se pessoas, as exilavam. O mercado editorial e escritores sofreram bastante, pois assim como nas outras artes, havia a tal censura prévia, ou seja, antes de serem publicadas, as obras passavam por setores que as analisavam e viam se elas estavam enquadradas nos requisitos de publicação. De acordo com o portal Memórias da Ditadura, temas relacionados a sexo, moralidade pública, bons costumes e também questão política, eram negados por serem considerados imorais.

Os escritores, então, utilizavam de muitas metáforas para tentar dizer o que realmente queriam. Por conta de estarem em entrelinhas, conteúdos conseguiam a aprovação de publicação.

Outro exemplo de momentos agoniantes para artistas e consumidores da arte ocorreu durante o regime totalitário nazista, na Alemanha de Hitler.

Hitler tinha o desejo de estabelecer a dominância de uma raça ariana na Alemanha, e em função disso, ele perseguiu tudo e todos os tipos de pessoas que não se enquadravam no perfil montado pela idealização caótica dele. A literatura sofreu bastante com isso, pois muito do que existia também era considerado errado, nocivo e impuro pelo governo do Führer.

No dia 10 de dezembro de 1933 ocorreu a famosa grande queima de livros por diversas cidades da Alemanha. Hitler queimou incontáveis obras em praças públicas, dizimando histórias e muito conhecimento. Foi um evento lamentável.

Um livro que representa muito bem esse momento trágico foi escrito por Markus Zusak e intitulado A Menina que Roubava Livros. A trama conta a história de Liesel, uma garota que passa a roubar livros proibidos e a aprender muito com eles. Em 2014 foi lançada a adaptação cinematográfica protagonizada por Sophie Nélisse:

Outro livro que também é bastante interessante ao ter como o tema a censura é o Fahrenheit 415, escrito por Ray Bradbury. Confira a sinopse:

“O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos”.

Conclusão

A importância de debater o tema da censura é simples e bastante óbvia: não podemos achar que ela é normal e temos que fazer o possível para combatê-la. Afinal, estamos no século XXI. Por que repetir os mesmos erros do passado?

Obs: o primeiro gif é obra da ilustradora Rebecca Hendin.

Escrito por

Sou Daniela Esperandio Dias, uma capixaba de 19 anos que tem coluna de uma senhora de 70. Curso jornalismo e estou na luta para aprender francês. Amo ler e escrever, e tenho um caso sério com o chocolate.

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