Os altos e baixos da literatura fantástica. Entenda mais sobre esse gênero literário

Ao mesmo tempo que ganha espaço no mercado audiovisual, a literatura fantástica ainda não emplacou na vida dos leitores brasileiros

A literatura fantástica é um dos gêneros da literatura que está ganhando cada vez mais espaço, de acordo com o portal do Concursos Brasil. Neste, diversas informações sobre o mundo literário voltado para a fantasia estão postas, e entender mais dessa temática é essencial para os fãs de livros sobrenaturais.

Imagem: Canva

Com possível surgimento na França do século XVIII e XIX, a literatura fantástica é um gênero literário em que as histórias contadas possuem temáticas sobrenaturais que não podem ser explicadas pela Ciência. No Brasil, a primeira publicação de cunho fantástico se deu por meio de Álvares de Azevedo com a obra “Noite na Taverna“, lançada em 1855. Segundo uma matéria do Estadão, porém, o título de obra pioneira desse gênero no Brasil vai para o livro Um Sonho, de Justiniano Rocha, lançado em 1838.

De acordo com os pesquisadores Daiane Lourenço e Luís Cláudio Silva, no início, o gênero fantástico tinha grande estratégia a dar medo no leitor, sendo brusco e assustando o público. Porém, com o passar dos anos, o desenvolvimento desse tipo de obra ocorreu, tornando-se mais complexo e abordando assuntos importantes e cotidianos a respeito do ser humano, não sendo apenas uma maneira de entretenimento vazia. Tornou-se reflexiva.

Classificações

Segundo a professora Francisca Suárez Coalla, o gênero passou por amadurecimento com o tempo, e foi dividido em fases:

  • Final do século XVIII e início do século XIX: exploração bruta do sobrenatural, inserindo figuras de monstros e fantasmas nas obras.
  • Século XIX: exploração do lado psicológico do homem.
  • Século XX: exploração da falta de coerência no cotidiano.

O portal Concursos no Brasil informou que a literatura fantástica é dividida nos subgêneros Terror, Fantasia e Ficção Científica:

  • Terror: tem como objetivo causar medo no leitor. É praticamente a maneira mais utilizada do gênero fantástico do final do século XVIII e início do século XIX, com a presença de monstros e figuras macabras na história. Exemplo de obra: O Exorcista, de William Petter Bletty.
  • Fantasia: tem o uso da magia ou construção de um universo completamente novo. Nela, o sobrenatural se mostra presente de diversas maneiras, desde animais falantes a pessoas que têm o poder de voar. Exemplo de obra: Harry Potter, de J.K. Rowling.
  • Ficção Científica: utiliza da ciência como fio condutor da temática do livro. Exemplo de obra: Frankenstein, de Mary Shelly. É considerado o livro pioneiro de tal subgênero.

No podcast Radiação 25, produzido pela equipe LACOS Faesa, há um bate papo interessante sobre literatura fantástica, e junto aos convidados Aline Polito e Thiago Oliveira, foi discutido as classificações do subgênero Fantasia:

Alta fantasia: criação de universo completamente novo para contar a história.

Média fantasia: criação de um universo novo ou não. Contém aspectos reais em grande quantidade.

Baixa fantasia: a história se passa dentro do universo real e possui alguns aspectos sobrenaturais.

A Literatura Fantástica e as adaptações

Série de livros Harry Potter. Imagem: Mercado Livre

Além de estar presente nos livros, a literatura fantástica muitas das vezes é adaptada para filmes e séries. Algumas adaptações fazem bastante sucesso e se tornam alvos de grande adoração, como por exemplo, a saga Harry Potter de J.K Howling. Os livros, os quais foram lançados entre 1997 e 2007, bateram recordes de venda e ganharam adaptações pela Warner Bros entre os anos 2001 a 2011, tornado-se a série cinematográfica mais assistida da história. A marca do mundo de fantasia criado por Howling chegou a custar 15 bilhões de dólares.


Trio protagonista de Harry Potter. Imagem: Reprodução Internet

Outro exemplo de literatura fantástica que caiu no gosto do público em forma de livro e produto audiovisual é a série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, de George Martin. Os livros tiveram lançamento inicial em 1996, e a conclusão da história não tem previsão de estreia. O universo construído por Martin foi adaptado pelo canal americano HBO em uma série de oito temporadas chamada de Game Of Thrones, tendo o último episódio lançado em maio deste ano. A grande produção conquistou diversos prêmios desde o lançamento, que foi em 2011, fez uma legião de fãs e deu bastante audiência para a HBO, sendo que o último episódio foi o mais assistido na história da emissora, com 13,6 milhões de telespectadores.


Imagem: HBO

Além desses, tem-se várias outras obras que fizeram sucesso no mundo literário e audiovisual, como por exemplo, a triologia de livros O Senhor dos Anéis, de Tolkien, a qual foi lançada em 1954 e 1955, ganhando adaptação para o cinema em 2001, 2002 e 2003. Crepúsculo, de Stephenie Meyer, também é outro grande nome que se encaixa nesse perfil, sendo uma série de quatro livros a qual foi lançada entre 2005 e 2008, e que ganhou adaptação para as telonas entre 2008 e 2012.


Cena de O Senhor dos Anéis. Imagem: Reprodução Internet

Contando as que estão em produção, tem-se, por exemplo, Sombra e Ossos/ Six Of Crows, obra de Leigh Bardugo, que ganhará adaptação pela Netflix. O elenco já foi divulgado e as gravações começaram, porém, não há previsão de estreia. Além dessa história, é possível citar também, Um Tom Mais Escuro de Magia, obra de V.E Schwab, ganhará adaptação para o cinema.

Literatura fantástica no Brasil

Mesmo ganhando espaço no mercado audiovisual e literário pelo mundo, a literatura fantástica ainda não emplacou no Brasil, de acordo com o autor Santiago Nazarian. Em uma matéria publicada pela Folha de São Paulo, o profissional afirmou que a cultura brasileira não se permite aproveitar muito do gênero, o que é uma consequência antiga, sendo que o viés de explicar a identidade brasileira sempre ganhou mais visibilidade do que a literatura voltada para a fantasia, horror e ficção científica, que é vista como fútil para muitos críticos. Por que falar de entretenimento fantástico se a questão social é uma necessidade? E é aí que o erro permanece. A crítica futiliza esse gênero literário e o considera inferior aos outros.

Esperança

Porém, a visão negativa da literatura fantástica é derrubada com o surgimento de autores criativos, esperançosos e apaixonados pelos livros e pela arte de contar histórias. Diego Canuto é um deles. Autor de As Sombras de Arkron, ele possui escritores favoritos que o inspiraram na produção da obra, como Leonel Caldela, André Vianco e Eduardo Spohr. Todos brasileiros, os três contribuíram para a literatura voltada para o gênero fantástico.

Capa do livro As Sombras de Arkron. Imagem: Reprodução Internet

A crítica considera esse gênero inferior, porém, não avalia que a processo de escrita é trabalhoso como em qualquer livro. Diego falou um pouco ao Livros de Açúcar sobre as inspirações que teve para escrever As Sombras de Arkron, e elas são variadas. Ele utiliza referências visuais, músicas e diversos outros elementos. “Meu processo criativo é bem diversificado. é um mix de tudo o que eu gosto: games, HQ’s, mangás e animes”, contou.

Com uma variedade de maneiras para buscar criação e construir um mundo novo, o resultado não poderia ser desanimador. Confira a sinopse de As Sombras de Arkron:

A inveja entre dois irmãos molda o destino de toda a humanidade. Em Nelim contam-se lendas sobre uma misteriosa fortaleza cheia de tesouros. Um grupo de errantes resolve ir em busca da lenda. Com essa empreitada um ser renasce e pode colocar toda a terra de Nelim a uma era de desolação sem fim. Rirk e seus novos amigos terão de unir forças para chegar ao seu destino, encontrando em sua estrada perigos, inimigos antigos e poderes que antes nunca pensaram enfrentar“.

As Sombras de Arkron está disponível em formato físico e digital na Amazon, Mercado Livre, Submarino e Americanas.

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Escrito por

Sou Daniela Esperandio Dias, uma capixaba de 19 anos que tem coluna de uma senhora de 70. Curso jornalismo e estou na luta para aprender francês. Amo ler e escrever, e tenho um caso sério com o chocolate.

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