a triste e cruel realidade de crescer

Odeio as manchetes e o tempo
Tenho 19 anos e estou em chamas
Mas quando estamos dançando, eu estou bem
É apenas mais uma noite sem graça 

                                                      – Lorde, Perfect Places

Completei os vinte anos. Pergunto-me se aproveitei esses últimos anos do jeito que eu deveria. Ainda tenho tempo para ser uma completa porta? Ou melhor dizendo, uma completa nada? Que só joga as coisas para cima e dança em seguida? Ou já passei dessa fase? Já virei adulta?

São tantas interrogações que surgem para mim como tios perguntando como andam as coisas. Eu não sei! Tudo o que sei é que completei os 20 anos, e ao mesmo tempo em que não tenho o que eu achei que teria, não me arrisquei do jeito que deveria. Já estou velha para ter o que eu acharia que teria com os 20? Já estou velha para me arriscar? Se eu ousar, seria uma cena ridícula?

Design sem nome (12)
Foto: Canva

Por favor, pessoas mais velhas que estiverem lendo este texto, não estou sendo mesquinha. É algo que martela constantemente na minha cabeça e que me deixa infelizmente pensativa demais. Não é capricho.

Quando eu era uma criatura de curta existência (mais curta, quero dizer), sonhava em ser grande quando tivesse os 20. Achava que seria cantora ou atriz, que teria minha individualidade e o poder aquisitivo que me fizesse comprar o que eu quisesse para mim e para meus pais e avós e pessoas que necessitavam e animais que viviam nas ruas. Na verdade, esse meu poder também era guiado para o lado das emoções. Eu achava que existia um botão que me faria ficar com quem eu quisesse, e que o amor seria algo simples e fácil. Naquela época, de acordo com os meus pensamentos antigos, eu já estaria com alguém hoje. De mãos dadas e coração entrosado no de um jovem, príncipe encantado.

Acredito que eu era um pouco burra ou sonhadora demais. Ou iludida demais por músicas e filmes clichês que mostram jovens se dando bem na vida amorosa e financeira. Que mostram jovens já sendo bem sucedidos em seus 20 anos, e tendo curtido tudo o que desejavem e deveriam. Ao mesmo tempo que eu amo tais filmes, os amaldiçoo. Eles me transformaram em uma tola. Em uma pobre coitada cheia de expectativas que são todos os dias jogadas no lixo.

Design sem nome (13)
Foto: Pixabay

A transição da adolecência para o mundo adulto não é algo divertido e fácil. Eu sofro todos os dias porque ainda não alcancei o que quero, e também, por ter deixado o tempo em que eu poderia ser jovem passar escorrendo pelos meus dedos. Não sou muito daquelas moças de sair e dançar e perder os sentidos e provar bocas diferentes e me apaixonar todos os dias por um rapaz diferente. Sou daquelas que lê sobre isso nas redes sociais durante os intervalos de novelas que acompanho diariamente. Não gosto disso agora, mas e se depois eu me interessar por essa boemia? Eu não teria o diabo do tempo para jogar minhas horas fora com festas e rapazes momentâneos. Eu deveria trabalhar e trabalhar para pagar as contas.

Mas eu realmente não me encaixo ne perfil festivo agora, e só me resta não ter saudade da oportunidade de viver isso quando envelhecer… Você entende o que eu digo? Não? Pense em um sorvete de casquinha que alguém te deu e você está empasinado, sem vontade alguma de saborear. Aí, você deixa esse sorvete novinho com uma outra pessoa. Algumas horas depois, você fica aguando naquele doce, mas está tarde demais e a sorveteria já foi fechada.

É uma comparação boba, mas é algo que faz sentido.

Não tenho as saídas festivas clichês de jovens que são romantizadas nos filmes de comédia romântica.

Não tenho aquele amor clichê que é tão vendido nas histórias, de jovens que se apaixonam (antes dos 20. Repito, antes dos 20!) e ficam juntos para sempre.

Não tenho o sucesso profissional promissor que com 13 anos eu achei e jurava que teria aos 20.

Meus sonhos ainda não foram realizados. Sim, eles deveriam ter se concretizado antes dos 20, de acordo com a Daniela de anos atrás.

Não fiz nada de bom para o mundo igual a muitas pessoas de 20 anos. Nada que estimule o lado bom do ser humano.

Tenho medo de quando eu envelher sentir saudade desse tempo e agir como uma adolescente aos 30 anos que não viveu o que deveria na idade que deveria – isso é algo que acontece com muita gente, é só reparar direito e você verá que estou certa.

Enfim, eu sou um alguém inútil e que não sabe aproveitar o que tem nas mãos. E que pensa demais antes de fazer as coisas.

Ou talvez eu seja só alguém muito dramático mesmo.

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Escrito por

Sou Daniela Esperandio Dias, uma capixaba de 19 anos que tem coluna de uma senhora de 70. Curso jornalismo e estou na luta para aprender francês. Amo ler e escrever, e tenho um caso sério com o chocolate.

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