Livro: Sejamos Todos Feministas – Chimamanda Adichie

”Nós evoluímos. Mas nossas ideias de gênero ainda deixam a desejar”

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Escolhi comentar o livro Sejamos Todos Feministas da Chimamanda Adichie porque o achei fantástico. Na verdade, o livro é simplesmente a versão escrita da palestra que Adichie deu à conferência TedxEuston, a qual tem foco assuntos sobre a África. No discurso da autora, que está disponibilizado no Youtube, diversos pontos sobre o tema feminismo são apontados.

Acho que a palavra feminista dá medo em certas pessoas. Homens e, infelizmente, também mulheres. O problema é que ela é distorcida, propagada como um ideal monstruoso em que mulheres tomam o topo de tudo e comem todos os homens do mundo, lambendo até os ossos. Comento isso porque já li muitas infelicidades na internet e me sinto no direito de compartilhar aqui.

Algo que me deixou um pouco chocada (não sei porquê, se já é um tanto óbvio) foram os vários comentários negativos sobre a palestra de Chimamanda. Não estou sendo dramática, se você quiser conferir, leia você mesmo. No início são vários apoiadores da causa feminista, mas frases tortas também estão presentes. Enfim.

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Eu sou feminista. Isso não significa que eu odeie homens (muito pelo contrário, eu me apaixono todos os dias por um rapaz diferente), e alguns homens fazem parte da minha lista de melhores pessoas do universo: o meu pai, o meu avô. Eles são honrosos, respeitosos, seres maravilhosos do sexo masculino.

Mas ser feminista não significa que eu ache todas as criaturas do sexo feminino perfeitas (muito pelo contrário, existem mulheres cruéis e monstruosas e malignas. Não as defendo). O ser humano, em si, não pode ser defendido. Não que eu seja completamente pessimista em relação à humanidade das pessoas, só não coloco a mão no fogo por nenhum sorriso que pareça sincero. Porque, oh céus, o ser humano sabe mentir muito bem!

Não estou aqui para falar sobre a minha falta de fé nos outros, e sim, sobre a importância do entendimento do feminismo. Infelizmente, como falado no incrível discurso de Chamamanda, muitas pessoas acreditam que vivemos em uma plena igualdade de gênero. O que é uma mentira. MENTIRA.

”Eu tendo a cometer o erro de achar que uma coisa óbvia para mim também é óbvia para todo mundo. Um dia estava conversando com meu querido amigo Louis, que é um homem brilhante e progressista, e ele me disse: ‘Não entendo quando você diz que as coisas são diferentes e mais difíceis para a as mulheres. Talvez fosse verdade no passado, mas não é mais. Hoje as mulheres têm tudo o que querem’. Oi? Como o Louis não enxergava o que para mim era tão óbvio?”

Eu mesma já fui ignorante em relação a isso. Lembro-me muito bem quando uma amiga minha, Melissa, vinha com esse papo de desigualdade de gênero e eu revirava os olhos para ela e dizia que era tudo drama, que não existia desigualdade, que as tal feministas falavam de mais. Não sei se ela lembra de nossos diálogos sobre isso, mas sinto vergonha da minha versão do Ensino Médio. Tive que ler muito para progredir e entender o que Mel queria me dizer. E eu sou uma moça.

”O modo como criamos nossos filhos homens é nocivo: nossa definição de masculinidade é muto estreita. Abafamos a humanidade que existe nos meninos enclausurando-os numa jaula pequena e resistente. Ensinamos que eles não podem ter medo, não podem ser fracos ou se mostrar vulneráveis, precisam esconder quem realmente são.”

Além de nosso lado, meninas, moças e mulheres, temos os meninos, rapazes e homens. Por que eles têm que ter um perfil de forte e protetor da casa? Por que chorar é vergonhoso para muitos homens? Por que tal ideia foi propagada? Pelos céus, isso é ridículo! Homens também precisam ter uma liberdade em relação a essa imagem de sabedor de tudo e protetor de tudo. Mulheres também podem ser nervosas quando quiserem, indo ao oposto da figura meiga e frágil que os anos sessenta divulgava em suas propagandas e filmes. Chamamanda falou sobre tudo isso, e eu concordo com cada palavrinha…

”Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece, Não ensinamos os meninos a se preocupar em ser ‘benquistos’. Se, por um lado, perdemos muito tempo dizendo às meninas que elas não podem sentir raiva ou ser agressivas ou duras, por outro elogiamos ou perdoamos os meninos pelas mesmas razões.”

A autora é da Nigéria, então imagine como deve ser ainda mais complicado para as mulheres daquela região, que tem uma cultura já voltada para a opressão, já acostumada com a violência contra a mulher. É ainda pior. Porém, nosso Brasil também possui essas doenças culturais que insistem em dizer que o assédio é normal, que a desigualdade salarial é uma invenção, que as oportunidades são iguais, que o feminicídio não existe e é só mais um nome para um tipo de crime. Faça-me o favor.

”A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura.”

Estamos ganhando mais visibilidade e igualdade entre os meios da mídia, eu posso dizer. Porém, tem muito o que se consertar ainda. Muito, muito mesmo. Não trago números neste post, mas farei isso em outro. Obviamente farei outro post sobre esse assunto, afinal, ele precisa ser comentado.

Para finalizar, quero dizer para a ignorância ir passear. Não feche os olhos para algo óbvio, e não dê ouvidos a uma cultura antiga e machista. Os tempos mudaram, e eles estão abrindo as portas para a igualdade.

”A questão do gênero, como está estabelecida hoje em dia, é uma grande injustiça. Estou com raiva. Devemos ter raiva. Ao longo da história, muitas mudanças positivas só aconteceram por causa da raiva. Além da raiva, também tenho esperança, porque acredito profundamente na capacidade de os seres humanos evoluírem.”

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Escrito por

Sou Daniela Esperandio Dias, uma capixaba de 19 anos que tem coluna de uma senhora de 70. Curso jornalismo e estou na luta para aprender francês. Amo ler e escrever, e tenho um caso sério com o chocolate.

2 comentários em “Livro: Sejamos Todos Feministas – Chimamanda Adichie

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