Poemas: Canção – Cecília Meireles

IMG_20180429_120106_019 (1)

Oi, gente! Neste post trago um poema muito especial que conheci por agora e já me apaixonei. O escolhido é Canção, da poetisa Cecília Meireles. Se eu falasse que já tinha grande apreço pelas obras dela, eu seria uma grande mentirosa. Já tinha ouvido falar, obviamente, mas conhecer a arte de Cecília foi algo recente. E que sortuda foi a minha pessoa ao encontrá-la.

Em relação à poesia, tudo o que tenho a dizer, mais uma vez, é que a acho reconfortante. E este poema de Cecília é a chave do meu cadeado da tranquilidade, enquanto tenho outros que estão se impondo, sem chaves, trancando portas para mim atualmente.

Estou passando por um momento de baixa autoestima, e a poesia me entende perfeitamente. Entende perfeitamente o que meu âmago quer gritar para todos ouvirem, e o acalma de certa forma, porque não sou a única presa num mundinho de pessimismo.

Muito bem, escolhi o poema Canção porque ele vai diretamente para um lado que está implicando comigo no momento: a vontade de enterrar os sonhos, desistir de tudo. O desânimo completo. Agorinha, é o poema com o qual eu mais me identifico e tenho o prazer de abraçar e espalhar para pessoas também desanimadas. Estamos juntos nessa, pessoa desanimada do outro lado da tela.

Sem mais delongas, apresento-os esta obra de Cecília Meireles que tanto gostei:

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Estou sim afirmando certo desânimo, mas é melhor afirmá-lo do que fingir que ele não existe. Para superá-lo, é preciso o entender primeiro. E eu o entenderei e trarei poemas alegres para esse blog. Cadeados são destrancados, abrindo novas portas para sentimentos mais bonitos. E Canção serviu de chave.

Anúncios

Escrito por

Sou Daniela Esperandio Dias, uma capixaba de 19 anos que tem coluna de uma senhora de 70. Curso jornalismo e estou na luta para aprender francês. Amo ler e escrever, e tenho um caso sério com o chocolate.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s